Brasileira está entre feridos em acidente de trens na Espanha
Uma brasileira está entre os feridos no acidente entre dois trens de alta velocidade na Espanha, registrado na quarta-feira (28). A informação foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty). Conforme o último balanço, o número de mortos já chegou a 69, e o de feridos, a 110.
O Itamaraty acionou o serviço consular nesta quinta-feira (29). Segundo o Consulado-Geral do Brasil em Madri, a brasileira já está sendo assistida.
O ministério não divulgou o nome e nem outros dados pessoais da brasileira.
A colisão ocorreu às 8h53 de quarta-feira, pelo horário local, quando o trem da Renfe atingiu a composição da Iryo que estava parada na linha. Puente afirmou que a velocidade exata do trem no momento do impacto ainda não havia sido determinada, mas que a composição poderia ter alcançado 200 km/h no trecho.
O acidente envolveu trens que faziam o trajeto entre Madri e Sevilha, no sul do país. Segundo os dados preliminares divulgados pelas autoridades, havia 397 pessoas a bordo do trem da Renfe e 147 na composição da Iryo.
A explicação apresentada pelo ministro direciona a investigação para as decisões tomadas pela central de controle depois da falha informática. Ainda não está esclarecido por que a circulação foi autorizada sem restrições de velocidade nem por que a ordem foi emitida apesar do sinal de parada.
A empresa pública responsável pela infraestrutura ferroviária espanhola, a Adif, informou que a circulação na linha de alta velocidade entre Madri e a Andaluzia foi suspensa após o acidente. Equipes de emergência foram mobilizadas, com bombeiros, helicópteros e unidades móveis de terapia intensiva no atendimento às vítimas.
A operadora privada Iryo afirmou ter acionado seus protocolos de segurança e estar trabalhando em coordenação com as autoridades. A estatal Renfe também ativou seu plano de atendimento às vítimas e familiares e disponibilizou uma linha telefônica para prestar informações.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez cobrou esclarecimentos sobre as causas que levaram à colisão de dois trens, a qual deixou pelo menos 69 mortos, segundo o último balanço das autoridades regionais.
Durante uma visita ao local do acidente, a cerca de 150 quilômetros ao sul de Madri, Sánchez afirmou que o Estado está empenhado em “conhecer e esclarecer quais foram as causas que deram origem a este terrível acidente ferroviário”, ocorrido na véspera.
Logo após o acidente, ainda na quarta-feira, o ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, classificou como “inexplicável” a decisão da central de controle ferroviário de autorizar a retomada da circulação de um trem da estatal Renfe antes da colisão com uma composição da empresa privada Iryo.
Segundo o ministro, uma falha no sistema de segurança interrompeu a circulação de trens em um trecho da linha de alta velocidade entre Madri e Sevilha nesta quarta-feira, mas o comando central autorizou a retomada do percurso sem restrições de velocidade.
“Não estou atribuindo responsabilidade a ninguém, estou apenas relatando os fatos”, afirmou Puente, ao apresentar uma reconstituição preliminar do acidente. O ministro disse que os maquinistas não tiveram culpa e que as circunstâncias da autorização para retomar a viagem ainda estão sendo apuradas.
Segundo a explicação de Puente, por volta das 8h30, uma falha informática interrompeu o funcionamento do sistema de segurança ferroviária em um trecho de 63 quilômetros. O mecanismo de proteção fez com que os trens afetados parassem automaticamente. A central de controle assumiu então a gestão da circulação na área.
O ministro afirmou que, apesar de um sinal de parada permanecer ativo, a central autorizou o trem da Renfe a voltar a circular normalmente. Para Puente, a composição não deveria ter recebido autorização para retomar o percurso naquelas condições. Caso a circulação fosse liberada, disse, o trem deveria ter sido orientado a avançar com velocidade reduzida, de modo que pudesse parar diante de qualquer obstáculo.
Reforço na segurança
Após uma reunião do comitê de emergências, Sánchez reiterou o compromisso de determinar as causas da colisão.
“Estamos trabalhando dia e noite não apenas para dar uma resposta aos familiares das vítimas, mas também para esclarecer até o último detalhe desta tragédia e, é claro, reforçar a segurança para que isto não volte a acontecer”, disse
Os reis da Espanha, Felipe VI e Letizia, visitarão nesta quinta-feira os feridos internados em um hospital de Toledo, a quase 70 quilômetros do local do acidente, informou a Casa Real
No município de Urda, o mais próximo ao local da tragédia, uma escola foi habilitada para receber os parentes das vítimas, que contam com o apoio de funcionários da Cruz Vermelha.
“Serão horas duras e longas”, disse Carmen García, psicóloga que atende as famílias no centro improvisado.
“Temos pessoas em estado de choque, que não têm consciência do que aconteceu, pessoas irritadas, pessoas tristes, preocupadas, o luto vai ser complicado”, acrescentou.
O pároco de Urda, José Miguel Fernández, também compareceu para prestar apoio às famílias.
“Muitos deles estavam serenos, outros nervosos, sem esperança, queriam saber logo e ter notícias de seus entes queridos”, explicou.






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