'Titanique' emerge na cena carioca, na praia do besteirol, com citações de hit de Rosana, 'Berimbau' e Bonde do Tigrão

O elenco do musical 'Titanique' posa na proa do navio cenográfico que ocupa o palco do Teatro Claro Mais em temporada que vai até 7 de novembro
Edgar Machado / Divulgação
♫ OPINIÃO
♬ Sucesso na temporada teatral de São Paulo no último trimestre de 2025, o musical “Titanique” emerge neste mês de outubro de 2026 na cena carioca, na praia do besteirol, com direito a citações de músicas brasileiras de diversos estilos e épocas.
Em cartaz no Teatro Claro Mais de quinta-feira a domingo, até 7 de novembro, a comédia dirigida por Gustavo Barchilon é narrada por Celine Dion e tem roteiro centrado nas músicas mais famosas do repertório da cantora canadense, personificada no espetáculo por Alessandra Maestrini, atriz de fartos dotes vocais.
Contudo, em sintonia com o espírito nonsense do espetáculo, a paródia teatral do filme norte-americano “Titanic” (1997) – estreada em junho de 2022 no circuito off-Broadway com texto de Tye Blue, Marla Mindelle e Constantine Rousouli – ganha molho e ritmos à moda brasileira na irreverente montagem brasileira protagonizada por Maestrini e pelo atores Marcos Veras e Giulia Nadruz como o apaixonado casal Jack Dawson e Rose DeWitt Bukater, personagens imortalizados no filme por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet.
No musical, quando Jack e Rose estão no convés, ele canta e dança trecho do afrossamba “Berimbau” (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963), no movimento e na cadência de um tema de capoeira. Em outro momento, o ator Luis Lobianco – um dos pilares da peça pelos improvisos na pele de Ruth, a mãe preconceituosa e elitista de Rose – cita o refrão “Só as cachorras / As preparadas”, do funk “O baile todo” (Alexandre Lucas, Mãozinha, Umberto Tavares e Victor Junior), um dos maiores sucessos do Bonde do Tigrão.
A mesma Rose, louca por um solo no musical, também canta o refrão do maior sucesso da cantora Rosana, “O amor e o poder”, versão em português de Claudio Rabello para a balada “The power of love” (Jeniffer Rush, Candy de Rouge, Gunther Mende e Mary Susan Applegate, 1984).
Embora lançada na voz de Jennifer Rush com retumbante sucesso em Londres, em dezembro de 1984, a poderosa balada ganhou projeção mundial ao ser regravada por Celine Dion em 1993 – o que dá ao número de Lobianco um mínimo de senso, embora a comédia se alimente e provoque risos justamente pela falta de lógica.
E por falar em versão e em risos, Marcos Veras arranca gargalhadas da plateia ao imitar o cantor Daniel interpretando “Te amo cada vez mais” (1997), versão em português de Roberto Merli para “To love you more” (David Foster e Edgar Bronfman, 1993), um dos maiores sucessos de Celine Dion. Daniel gravou a versão quando ainda formava dupla com João Paulo (1960 – 1997) e manteve a música no repertório da carreira solo.
Ainda que quase todos os números musicais sejam atravessados pelo humor irreverente do espetáculo, o musical “Titanique” consegue expor ao longo de duas horas a fartura vocal das atrizes Alessandra Maestrini, Giulia Nadruz, Talita Real (como Molly Brown, personagem da atriz Kathy Bates no filme de 1997) e Valéria Barcellos (com grande vivacidade cênica no papel de Tina Turner, personificação do iceberg que aparece no caminho do Titanic e faz o navio afundar).
Outro pilar da peça é o ator George Sauma, impagável na pele de Cal, o efeminado noivo de Rose. A tabelinha com Luis Lobianco em cena é hilária.
Com roteiro musical calcado nos hits de Celine Dion e turbinado com citações marotas que abarcam até a dupla Sandy & Junior, “Titanique” é comédia à altura dos anos dourados do besteirol. Mais do que o navio, pilotado em cena por Wendell Bendelack como o comandante Victor Garber, é o espectador que afunda na cadeira de tanto rir.
O casal Jack e Rose é interpretado no musical 'Titanique' pelos atores Marcos Veras e Giulia Nadruz
Edgar Machado / Divulgação







COMENTÁRIOS