Gerente de restaurante pede R$ 50 mil de indenização após ataques racistas
O gerente de restaurante Murilo Luiz Santos, de 29 anos, acionou a Justiça após sofrer dois casos de racismo no litoral de São Paulo. Ele registrou uma notícia-crime e pede indenização mínima de R$ 50 mil, solicitando que as ofensas ocorridas no fim de fevereiro sejam investigadas pela Polícia Civil por meio de inquérito policial.
Conforme noticiado anteriormente, Murilo foi vítima de discriminação enquanto trabalhava em um fast food e, no mesmo dia, ao relatar o ocorrido a colegas, ouviu novas falas racistas de um jovem de 27 anos: “Preto tem cheiro de preto. Eu sei muito bem diferenciar pessoas pela melanina. O preto tem que ter um cuidado a mais”.
As falas foram registradas em vídeo, compartilhadas nas redes sociais e anexadas ao processo, que envolve ainda uma terceira pessoa apontada como participante das ofensas. Os advogados de Murilo, Vinicius Vieira Dias da Cruz e Paulo César Borgomoni, pedem que seja fixado valor mínimo de R$ 50 mil por danos morais.
A defesa do indiciado ainda não foi localizada, mas o espaço para manifestações segue aberto.
Os crimes
Os casos aconteceram no dia 24 de fevereiro. Durante a tarde, Murilo afirma que uma cliente se recusou a ser atendida por ele, em Santos, afirmando que um funcionário branco era “mais bonito”, enquanto apontava para a própria pele. Ela também teria passado álcool em gel no pedido assim que recebeu das mãos dele.
Horas depois, já na orla de São Vicente para espairecer, Murilo desabafava sobre o ocorrido quando passou a ser alvo de novos comentários apontados como racistas. Após compartilhar o vídeo nas redes sociais, ele recebeu mensagens do investigado que, em vez de pedir desculpas, teria comemorado a repercussão das falas.
O efeito foi o contrário. Logo, milhares de comentários em apoio à vítima começaram a circular nas redes sociais e, diante da repercussão, o jovem se pronunciou. “Quero pedir desculpas sinceras a todos que se sentiram atingidos. Racismo é algo sério, que machuca e não deve ser minimizado”, disse.
No entanto, pouco depois da publicação, ele usou os “stories” para divulgar um trecho de uma conversa privada em que sugere que o vídeo teria sido compartilhado por “recalque”. Segundo o conteúdo publicado, o influenciador afirma que a motivação da vítima estaria ligada a um interesse amoroso não correspondido.


O que dizem os advogados?
O documento protocolado pelos advogados da vítima afirma que o comentário do investigado de que ficaria “hypado” após a divulgação do vídeo demonstra não arrependimento. “Para o agressor, o crime de racismo não foi um erro, mas uma estratégia de marketing pessoal para angariar engajamento e seguidores”, apontam.
Os defensores também classificam que a atitude caracteriza racismo estrutural, quando a ofensa racial é utilizada como forma de entretenimento ou para obter visibilidade. Eles também solicitaram que o caso seja analisado conforme o protocolo de julgamento com perspectiva racial do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A diretriz orienta magistrados a considerar o contexto histórico e social do racismo na análise de processos. Conforme apurado pelo VTV News, além do acompanhamento jurídico, Murilo também recebe apoio psicológico do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Compir) de São Vicente.
Indiciado
O caso teve novos desdobramentos nesta sexta-feira (13), quando a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão no apartamento do investigado, localizado no bairro Itararé, em São Vicente. A ação foi realizada por policiais do 2º Distrito Policial (DP) de Cubatão, que apreenderam o celular do suspeito.
Durante as apurações, os investigadores identificaram que o perfil dele nas redes sociais tinha cerca de 12,6 mil seguidores. Também foi localizada uma reportagem com o vídeo em que um gerente, homem negro, aparece sendo ridicularizado por causa de um suposto odor, associado de forma racista à sua cor de pele.
O investigado foi levado à delegacia junto com o namorado. No local, ele admitiu ter usado expressões discriminatórias de cunho racial, mas afirmou que o vídeo foi gravado e divulgado pela própria vítima. Também disse ter recebido ameaças de morte após a repercussão do caso e declarou estar arrependido das falas.
Em nota, neste sábado (14), a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) confirmou as informações e destacou que o rapaz foi formalmente indiciado pelo crime de injúria racial. As investigações continuam.
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