Mendonça demorou 9 dias para decidir sobre Wagner, mas 75 no caso de Castro, diz PF
Um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF) aponta diferença no tempo levado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para analisar medidas envolvendo políticos. Segundo o documento, o magistrado levou nove dias para decidir sobre uma operação contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) e 75 dias em um caso envolvendo o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL).
O caso de Jaques Wagner está relacionado às investigações sobre o Banco Master, de Daniel Vorcaro. O senador passou a ser alvo da apuração após a PF investigar relações dele e de pessoas próximas com o banco. Wagner nega ter cometido irregularidades e considera que sua relação com Vorcaro era praticamente inexistente.
De acordo com o relatório, a medida envolvendo Wagner foi apresentada em 8 de junho e decidida por Mendonça em 17 de junho, nove dias depois. Já a primeira medida contra Castro foi apresentada em 11 de março e só recebeu decisão em 25 de maio, após 75 dias.
O documento também registra uma segunda medida envolvendo Castro. Apresentada em 30 de maio, ela foi decidida 46 dias depois, em 15 de julho. Nesse caso, a medida foi indeferida, apesar de parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A PF afirma que os números mostram uma diferença nos prazos e que eles podem indicar relação entre o tempo de análise e o perfil dos investigados. O próprio relatório, porém, classifica essa conclusão como de baixa confiança, porque a amostra é pequena e há fatores que podem influenciar os prazos, como a complexidade dos casos e o período em que os processos ficaram na PGR.
Além de Wagner e Castro, o levantamento cita a operação envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que levou 29 dias para ser analisada.
Investigação contra Mendonça
O relatório da PF foi divulgado em meio ao conflito entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça por causa da condução das investigações sobre o Banco Master. Na quinta-feira (3), Moraes encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, um pedido para que Mendonça seja investigado por supostos atos de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade.
O pedido foi feito no âmbito do inquérito das fake news. Moraes afirma que houve quebra da imparcialidade e favorecimento a grupos políticos na atuação de Mendonça nos casos do Master e das fraudes no INSS. Entre os pontos citados estão o suposto direcionamento de investigações contra o próprio Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
A reação de Moraes ocorreu dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que reúne mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O material cita conversas entre Vorcaro e Moraes e outros contatos com autoridades.
Fachin abriu um procedimento para analisar os questionamentos e deu cinco dias para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestem esclarecimentos.







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