Adolescente de 17 anos é morta a facadas em Caraguatatuba; polícia investiga possível emboscada
Jovem chegou à UPA Sul levada por um homem que afirmou tê-la encontrado ferida; investigação encontrou sangue em uma residência e identificou dois suspeitos
Reprodução Adolescente de 17 anos é morta a facadas em Caraguatatuba; polícia investiga possível emboscada
Jovem chegou à UPA Sul levada por um homem que afirmou tê-la encontrado ferida; investigação encontrou sangue em uma residência e identificou dois suspeitos
Por Redação do Jornal V2R Notícias — 1º de setembro de 2026
Uma adolescente de 17 anos morreu na noite desta segunda-feira (31) após ser vítima de um ataque com faca em Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo. O caso, que inicialmente mobilizou equipes da Polícia Militar após a entrada da jovem na UPA Sul, ganhou novos contornos durante as diligências e passou a ser investigado como homicídio qualificado por motivo fútil e mediante emboscada. Até o momento, duas pessoas são investigadas e não havia registro de prisão relacionado ao caso nas informações mais recentes divulgadas.
Segundo informações obtidas a partir do boletim de ocorrência, a adolescente, identificada como Clara Victória de Oliveira Palhares, chegou à UPA Sul, no bairro Perequê-Mirim, por volta das 18h30, transportada em um Chevrolet Prisma prata. O homem que a levou teria informado aos funcionários que encontrou a jovem ferida na rua e decidiu levá-la para receber atendimento.
Ainda conforme o registro policial, o homem deixou a adolescente na unidade de saúde e foi embora alegando que precisava devolver o veículo e que não poderia permanecer no local. As câmeras de segurança da UPA registraram a chegada do automóvel e as imagens foram recolhidas pela autoridade policial responsável pelo atendimento da ocorrência.
A adolescente, porém, já chegou à unidade em estado extremamente grave e não resistiu aos ferimentos. A equipe médica constatou uma lesão provocada por faca na região do peito.
Ferimento e outros sinais chamaram atenção
Informações descritas no boletim de ocorrência apontam que o ferimento no peito era profundo e extenso. Os investigadores também registraram como circunstância que chamou a atenção o fato de a roupa da adolescente não apresentar perfuração correspondente e haver relativamente pouco sangue no local do ferimento.
O documento também menciona que a jovem apresentava um dente quebrado e marcas no pescoço, elementos que levantaram a possibilidade de que tenha ocorrido uma luta corporal e até uma tentativa de estrangulamento antes da morte. Esses pontos, entretanto, ainda dependem da análise pericial para determinar exatamente o que ocorreu.
Primeiras buscas não encontraram sinais na casa da vítima
Após serem acionados pelo Copom, policiais militares realizaram as primeiras diligências e chegaram a verificar a residência da adolescente. Naquele primeiro momento, segundo o boletim, não foram encontradas alterações ou sinais aparentes relacionados ao crime.
A investigação mudou de direção depois que os policiais receberam a informação sobre o Prisma prata utilizado para levar a jovem até a UPA.
Os agentes passaram a procurar o veículo e localizaram um automóvel com as mesmas características estacionado diante de uma residência. No local, havia marcas de sangue na calçada, além de um forte odor que, segundo os policiais, misturava produtos de limpeza e sangue.
Ao observarem o interior do imóvel por cima do muro, os policiais visualizaram uma situação ainda mais preocupante: a residência estava revirada e apresentava diversas manchas que aparentavam ser de sangue.
Diante dos indícios, os agentes entraram no imóvel para realizar uma varredura e preservar possíveis vestígios que pudessem ajudar a esclarecer a morte.
Celular da vítima e objetos foram encontrados no imóvel
Segundo informações divulgadas pelo THMais Vale, o celular da adolescente, um iPhone com capa lilás, foi localizado dentro da residência investigada.
Os policiais também encontraram um travesseiro com manchas de sangue próximo ao muro, além de um tijolo que aparentava ter se deslocado recentemente. Outro elemento que chamou a atenção foi o chão molhado e a presença de uma garrafa de água sanitária próxima à porta, circunstâncias que podem indicar uma tentativa de limpeza do local após o ocorrido.
Uma faca que pode ter relação com o crime também foi recolhida para análise pericial.
O Chevrolet Prisma permaneceu no endereço e também foi incluído nas diligências. Uma equipe especializada foi acionada para tentar localizar impressões digitais e outros vestígios que possam ajudar a identificar quem conduziu o automóvel e estabelecer a sequência dos acontecimentos.
Pai de um dos investigados ajudou a polícia a identificar suspeitos
A residência onde os vestígios foram encontrados fica no mesmo terreno de outra casa, onde mora o pai de um dos investigados.
Conforme o relato policial divulgado, o homem disse ter ouvido uma discussão vindo da residência do filho, mas afirmou que não sabia o motivo do desentendimento nem quem estaria no interior da casa naquele momento.
Durante as diligências, ele informou aos policiais que o filho, de 26 anos, mantinha relacionamento com uma mulher de 21 anos, com quem tem um filho, e que também poderia ter algum tipo de relacionamento com Clara Victória.
O homem, porém, afirmou não saber onde os dois estavam.
A polícia pediu que ele tentasse entrar em contato com a mulher. Nesse momento, segundo o relato divulgado, o telefone dela começou a tocar dentro da própria residência, no quarto do pai do investigado. O aparelho foi apreendido para investigação.
O pai também foi apresentado às imagens registradas pelas câmeras da UPA. Como relatou ter dificuldades de visão, disse não conseguir reconhecer com segurança o homem que levou a adolescente à unidade, mas afirmou que o filho possui características no cabelo que poderiam auxiliar na identificação.
Relato sobre possível conflito anterior
Outro elemento que passou a ser analisado pelos investigadores surgiu durante o contato com o Conselho Tutelar, acionado pelo fato de a vítima ser menor de idade.
Uma jovem que se apresentou como irmã de consideração de Clara Victória relatou às conselheiras que a adolescente teria se envolvido recentemente em uma discussão com outra mulher.
Segundo esse relato, a mulher teria desconfiado de um possível relacionamento entre Clara Victória e seu namorado. A adolescente teria enviado uma mensagem ao rapaz para pedir de volta uma tesoura que pertencia a ela, mas a conversa teria sido interpretada pela namorada dele como uma possível tentativa de aproximação.
Essa informação foi repassada às autoridades como um possível elemento para a investigação da motivação do crime, mas ainda não há confirmação de que esse episódio tenha relação direta com a morte da adolescente.
Polícia ainda tenta reconstruir o que aconteceu
Com os elementos encontrados, a Polícia Civil deverá analisar os vestígios recolhidos no imóvel e no veículo, além das imagens das câmeras da UPA e dos telefones apreendidos.
A perícia deverá ser fundamental para esclarecer se as manchas encontradas na residência e no automóvel estão relacionadas à vítima, além de ajudar a estabelecer onde ocorreu a agressão e quem esteve no imóvel.
Também será necessário esclarecer quem conduziu o Prisma até a UPA, quem estava na residência no momento do ataque e qual foi a participação individual dos dois investigados.
O caso foi registrado como homicídio qualificado por motivo fútil e mediante emboscada. A classificação consta no registro da ocorrência, enquanto a investigação continua para confirmar a dinâmica do crime e reunir provas sobre a autoria.
Até o momento, não há confirmação de prisão dos dois investigados. Eles são tratados como suspeitos e a investigação permanece em andamento.
A Polícia Judiciária deverá aguardar os resultados das perícias e demais diligências antes de definir os próximos passos do inquérito.
Importante: por se tratar de uma investigação em andamento, informações sobre a motivação, autoria e participação dos envolvidos ainda podem sofrer alterações conforme novos elementos sejam reunidos pelas autoridades.
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