Morre J.R. Forlim, a voz que marcou cinco décadas de rádio no Litoral Norte
Aos 73 anos, radialista deixa uma trajetória de 50 anos de profissão, marcada pelo Jornal Regional, pela defesa das demandas da população e por uma presença que atravessou gerações
Imagem : Jornal V2R Notícias Morre J.R. Forlim, a voz que marcou cinco décadas de rádio no Litoral Norte.
Aos 73 anos, radialista deixa uma trajetória de 50 anos de profissão, marcada pelo Jornal Regional, pela defesa das demandas da população e por uma presença que atravessou gerações
Por Redação do Jornal V2R Notícias — 16 de agosto de 2026
O Litoral Norte de São Paulo amanheceu neste domingo (16) com uma notícia que entristece profundamente a comunicação regional. Morreu neste sábado (15), em Caraguatatuba, o radialista João Roberto Forlim, conhecido por todos como J.R. Forlim, uma das vozes mais reconhecidas da história recente do rádio na região. Ele tinha 73 anos e completaria 74 no próximo dia 31 de outubro. A causa da morte não foi divulgada.
Forlim deixa para trás nada menos que cinco décadas dedicadas ao rádio. A própria Caraguá FM registra em sua apresentação profissional que o comunicador tinha 50 anos de profissão e o descrevia como um dos nomes de maior audiência do Litoral Norte, destacando sua voz forte e sua atuação voltada às questões da população.
Durante muitos anos, J.R. Forlim foi a voz que entrava diariamente nas casas de milhares de moradores por meio do Jornal Regional, programa que se tornou uma referência do jornalismo radiofônico de Caraguatatuba. A atração levava ao ar notícias, acontecimentos locais, entrevistas e debates sobre assuntos que afetavam diretamente a vida da população.
A própria Caraguá FM mantém em seu site um arquivo de entrevistas e editoriais apresentados por Forlim, demonstrando a dimensão da participação do radialista na cobertura dos acontecimentos do Litoral Norte. Entre os registros estão entrevistas com o prefeito de Caraguatatuba, Aguilar Junior, durante a pandemia de Covid-19, além de conversas com médicos, autoridades policiais e representantes políticos de municípios da região.
Uma carreira construída antes da Caraguá FM
Embora tenha ficado especialmente conhecido pelo trabalho na Caraguá FM, a história de J.R. Forlim no rádio começou muito antes da emissora.
Um dos capítulos importantes de sua trajetória ocorreu na Rádio Oceânica, tradicional emissora de Caraguatatuba. Registros históricos sobre a comunicação da cidade mostram que o empresário e jornalista Roberto Espíndola, depois de assumir a Rádio Oceânica, promoveu mudanças importantes na programação e no jornalismo da emissora e contou com profissionais como Salim Burihan e J.R. Forlim para fortalecer o conteúdo voltado à comunidade.
Foi nesse período que Forlim passou a ganhar ainda mais espaço como comunicador e formador de opinião. Segundo registros sobre a história da imprensa local, Espíndola criou o programa “A Cidade Se Comunica”, colocando J.R. Forlim à frente de uma atração que levava para o rádio os problemas e reivindicações de Caraguatatuba.
A proposta ajudou a consolidar uma característica que acompanharia o radialista durante décadas: utilizar o microfone como instrumento para colocar os problemas da cidade no centro do debate público.
O rádio como ponte entre a população e o poder público
Uma das marcas de J.R. Forlim foi justamente a capacidade de colocar autoridades frente a frente com os ouvintes.
Ao longo dos anos, seu programa recebeu prefeitos, vereadores, médicos, policiais, empresários, representantes de entidades e outras personalidades. O arquivo mantido pela Caraguá FM mostra, por exemplo, entrevistas com Aguilar Junior, prefeito de Caraguatatuba, durante o período inicial da pandemia, quando o município enfrentava dúvidas e desafios relacionados aos casos suspeitos de coronavírus.
O alcance de seu trabalho também ultrapassava as fronteiras de Caraguatatuba. Em março de 2020, o Jornal Regional recebeu o comandante da Polícia Militar responsável por São Sebastião e Ilhabela para discutir a queda dos índices de criminalidade naquelas cidades. Em outra edição, entrevistou Toninho Colucci, ex-prefeito de Ilhabela.
Esse tipo de cobertura mostra que Forlim não era apenas um apresentador de rádio local. Ele fazia parte de uma rede de comunicação que acompanhava acontecimentos políticos, sociais e administrativos de diferentes cidades do Litoral Norte.
Uma voz presente nos grandes assuntos da região
Ao longo de sua trajetória, J.R. Forlim acompanhou transformações profundas no Litoral Norte.
Viu Caraguatatuba crescer, acompanhou mudanças políticas, obras públicas, discussões sobre segurança, saúde, infraestrutura, turismo e desenvolvimento regional. A cada nova manhã, o rádio era o ponto de encontro entre acontecimentos e ouvintes.
Para uma geração acostumada a receber notícias instantaneamente pela internet e pelas redes sociais, pode ser difícil dimensionar o papel exercido por comunicadores de rádio como Forlim.
Durante décadas, antes da popularização dos smartphones e das redes sociais, o rádio era uma das principais formas de a população saber o que estava acontecendo na cidade.
E era justamente diante de um microfone que J.R. Forlim construiu sua identidade profissional.
Uma carreira que atravessou gerações
A permanência de Forlim por aproximadamente meio século no rádio é, por si só, um capítulo importante da história da comunicação do Litoral Norte.
A Caraguá FM destaca que ele acumulava 50 anos de profissão e o apresenta como um comunicador de grande audiência e influência regional.
Em 2023, uma publicação especializada em política e comunicação local também o identificava como um dos profissionais mais antigos em atividade na região e registrava que ele estava à frente do Jornal Regional havia pelo menos duas décadas.
Essa longevidade fez com que seu público se renovasse ao longo dos anos. Pessoas que ouviram J.R. Forlim na juventude passaram a ouvi-lo também na vida adulta, enquanto novas gerações encontravam no mesmo programa uma voz que já fazia parte da rotina de seus pais e avós.
É esse tipo de trajetória que transforma um profissional em referência.
Um comunicador que também gerava debate
J.R. Forlim nunca foi um comunicador de perfil neutro ou apagado. Sua personalidade forte e suas opiniões fizeram parte de sua identidade profissional e, em diferentes momentos, suas manifestações no rádio provocaram debates, críticas e até disputas judiciais.
Esse aspecto também faz parte da história do profissional e não precisa ser apagado para que sua trajetória seja reconhecida. O jornalismo e o rádio são espaços de debate, e comunicadores que assumem posições frequentemente acabam despertando tanto admiração quanto discordância.
O importante, ao registrar sua história, é reconhecer que Forlim ocupou durante décadas um espaço relevante na comunicação regional e que sua voz fazia parte do cotidiano político e social do Litoral Norte.
A despedida
Segundo o Diário Caiçara, J.R. Forlim estava afastado das atividades na rádio havia alguns meses. A Caraguá FM confirmou oficialmente seu falecimento e destacou os muitos anos em que o radialista esteve à frente do Jornal Regional, ressaltando a história construída por ele em defesa do jornalismo e da informação.
O velório foi marcado para este domingo (16), a partir das 8h, no Cemitério do Indaiá, em Caraguatatuba. Forlim deixa quatro filhos: Paulo, Luiz, Márcio e Marcela.
A homenagem do Jornal V2R Notícias
Para nós, do Jornal V2R Notícias, esta não é apenas uma notícia sobre a morte de um profissional da comunicação.
É a despedida de um colega.
O rádio sempre foi uma das grandes escolas do jornalismo brasileiro. Muito antes de existirem portais, redes sociais, transmissões ao vivo pela internet e celulares capazes de colocar uma redação inteira dentro do bolso, havia o microfone, o telefone, o papel, o gravador e a voz do comunicador.
J.R. Forlim pertence a essa geração.
Uma geração que aprendeu a fazer comunicação com poucos recursos e muita dedicação. Uma geração que conheceu a responsabilidade de falar diariamente para milhares de pessoas e que ajudou a construir a memória jornalística de suas cidades.
Forlim fez isso durante 50 anos.
Passou por diferentes fases do rádio, acompanhou mudanças tecnológicas, viu o mundo da comunicação se transformar e permaneceu atrás do microfone enquanto novas formas de consumir informação surgiam.
Para nós, que também fazemos jornalismo no Litoral Norte e no Vale do Paraíba, sua trajetória merece respeito.
O Jornal V2R Notícias presta sua homenagem a João Roberto Forlim, o J.R. Forlim, e se solidariza com seus filhos, familiares, amigos, colegas da Caraguá FM e, principalmente, com os milhares de ouvintes que durante tantos anos tiveram sua voz como companhia nas manhãs.
Hoje, o rádio do Litoral Norte está mais silencioso.
A frequência continua.
O microfone permanece.
Mas uma voz que fazia parte da paisagem sonora de Caraguatatuba e de tantas outras cidades da região se calou.
Descanse em paz, J.R. Forlim.
Obrigado pelos 50 anos dedicados ao rádio.
De colega para colega, de jornalista para radialista: nossa homenagem e nosso respeito.
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