Menino perde visão e mobilidade após diagnóstico de doença genética rara; mãe busca ajuda

Adolescente tem a vida transformada por doença genética rara e busca por ajuda em Itanhaém, SP
Arquivo Pessoal
O diagnóstico de adrenoleucodistrofia (ALD) mudou a vida de uma família em Itanhaém, no litoral de São Paulo. Aos 13 anos, Diogo perdeu a visão, se alimenta através de uma sonda e tem dificuldade de locomoção, o que tornou o adolescente completamente dependente da mãe, Deluma Barros.
🔍 A adrenoleucodistrofia é uma condição genética rara, neurodegenerativa e progressiva. De acordo com o relatório médico do próprio Diogo, ela ocorre devido a uma alteração do cromossomo X, atingindo a visão, a fala e o comportamento, além de causar dificuldade para engolir (leia mais abaixo).
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"Era um menino cheio de vida: brincava, corria, aprendia, já sabia ler e escrever e tinha muitos sonhos. Porém, aos poucos, a doença foi tirando suas capacidades", lamentou a mãe. "Me dói ver meu filho todo dia nesse sofrimento e não ter o que fazer para ajudá-lo", completou ela.
Agora no g1
Ao g1, Deluma contou que está com dificuldade para conseguir a fórmula colocada na sonda, que alimenta o filho. Desde 2022, ela retira a nutrição no Departamento Regional de Saúde (DRS) Baixada Santista, em Santos (SP), mas costuma enfrentar problemas com a falta do produto.
De acordo com ela, a data da última retirada era no dia 5 de maio de 2026, mas os funcionários a avisaram que a nutrição estava em falta. Como esta é a única forma de alimentação do menino, a mãe precisa contar com doações e organização de rifas.
Por meio de nota, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) informou que a dieta enteral utilizada pelo paciente foi adquirida, por meio de processo licitatório, e estará disponível para retirada na próxima semana.
A secretaria acrescentou que a compra dos medicamentos, incluindo aqueles de demandas administrativas e judiciais, necessita que um processo licitatório seja realizado, seguindo as disposições da lei federal.
Diagnóstico
Adolescente antes e depois do diagnóstico da doença genética rara em Itanhaém, SP
Arquivo Pessoal
Deluma explicou que a investigação sobre o quadro de saúde começou após a professora da escola reparar na perda de visão e na mudança de comportamento do menino. A mãe levou o filho ao Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Itanhaém, onde ele foi encaminhado para um neurologista.
Diogo recebeu o diagnóstico em 2022, quando tinha 8 anos. "Mudou totalmente nossa rotina. Tive que sair do trabalho, pois ele ficou totalmente dependente de mim [...] Todo dia é uma nova dificuldade, um novo aprendizado. Mesmo assim, ele sorri e isso nos conforta. Todo dia aprendemos mais com ele".
Ajuda
Desde o diagnóstico, o menino faz tratamento no Instituto da Criança, no Hospital das Clínicas, em São Paulo (SP). Sempre acompanhado da mãe, ele é levado por uma ambulância da cidade para receber atendimento nas especialidades de neurologia, endocrinologia, dor e cuidados paliativos.
Em Itanhaém, Diogo faz fisioterapia e fonoaudiologia em casa a cada duas semanas, além dos 250 ml de nutrição pela sonda cinco vezes ao dia.
Adolescente tem a vida transformada por doença genética rara e busca por ajuda em Itanhaém, SP
Arquivo Pessoal
A mãe destacou que tem feito uma campanha nas redes sociais para conseguir comprar uma nova cadeira de rodas, pois a atual já não atende mais às necessidades do filho. Ela também tenta uma cadeira de banho, uma cama hospitalar, órteses e outros aparelhos.
"Mesmo diante de tantas dificuldades, seguimos lutando todos os dias para oferecer a ele o máximo de conforto, dignidade e qualidade de vida", finalizou Deluma.
Entenda a doença
Adrenoleucodistrofia é uma doença genética rara causada por mutações no gene ABCD1
TV TEM/Reprodução
A adrenoleucodistrofia é uma doença genética rara causada por mutações no gene ABCD1, localizado no cromossomo X. A condição provoca o acúmulo de ácidos graxos de cadeia muito longa no organismo, afetando principalmente o cérebro, a medula espinhal e as glândulas suprarrenais.
Entre os sintomas estão alterações na fala, visão e comportamento, dificuldades para caminhar e engolir, perda de funções cognitivas e insuficiência adrenal.
Por possuir apenas um cromossomo X, ela é mais frequente no sexo masculino. Para mulheres as desenvolverem a doença, precisam ter os dois cromossomos alterados.
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