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São José dos Campos,18/06/2026

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Dólar fecha a R$ 5,10 após fala dura de presidente do Fed sobre juros

jovempan.com.br
Dólar fecha a R$ 5,10 após fala dura de presidente do Fed sobre juros
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Após operar em queda ao longo da maior parte do dia, o dólar ganhou força nas últimas horas de negócios e superou a linha de R$ 5,10, acompanhando a onda de valorização da moeda norte-americana no exterior. O tom duro do comunicado do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), reiterado por declarações do chairman Kevin Warsh em coletiva de imprensa, impulsionou as taxas dos Treasuries e reduziu o apetite por ativos de risco, como bolsas e divisas emergentes.





Em alta modesta até o anúncio da decisão do BC norte-americano, o índice DXY — que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes — disparou após a fala de Warsh e não apenas superou os 100,000 pontos, como também tocou máxima na casa dos 100,500 pontos. Os reflexos no mercado local foram imediatos, embora o real tenha sofrido menos do que pares emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano.





O dólar à vista não apenas trocou de sinal, como iniciou uma escalada na meia hora final de negócios, com sucessivas renovações de máximas, e atingiu R$ 5,1217 no pico da sessão.





A moeda norte-americana fechou em alta de 0,41% frente ao real, a R$ 5,1077, voltando a superar o nível de R$ 5,10 após três pregões. O dólar passa a acumular ganhos de 0,91% na semana e de 1,28% em junho, após valorização de 1,82% em maio. As perdas no ano agora são de 6,95%.





O superintendente de câmbio do Banco Rendimento, Jacques Zylbergeld, ressalta que a perspectiva de um dólar mais forte no exterior, diante da possibilidade de alta dos juros nos EUA neste ano, tende a limitar o espaço para uma recuperação do real. Ele observa que o ambiente doméstico já se tornou mais ruidoso, com as denúncias de envolvimento de políticos no escândalo do Banco Master e o aumento das preocupações com a questão fiscal, sobretudo diante da liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial.





“O Copom tende a anunciar um novo corte da Selic hoje, mas adotar um tom mais duro, porque as expectativas de inflação vão piorar. Vamos ter ainda um juro muito alto e um diferencial grande em relação ao exterior. Mas é preciso ver como o mercado vai absorver essa nova postura do Fed”, afirma Zylbergeld.





Como esperado, o BC norte-americano manteve a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75%. A decisão foi unânime. Na primeira reunião sob o comando de Kevin Warsh, o Fed trouxe, em um comunicado mais curto do que o habitual, uma mensagem dura ao apontar que a inflação segue acima da meta, em parte refletindo o choque de energia, ao passo que a economia continua em ritmo sólido, com crescimento do emprego.





No chamado gráfico de pontos, que reúne as projeções dos dirigentes do BC norte-americano para os indicadores econômicos, nove integrantes do Fed veem aumento da taxa básica neste ano, enquanto oito projetam manutenção e um espera queda. Ferramenta de monitoramento do CME Group passou a apontar mais de 60% de probabilidade de uma alta dos juros em outubro deste ano.





Em entrevista coletiva, Warsh foi assertivo ao afirmar que o Fed buscará a estabilidade de preços, mas se recusou a fornecer um forward guidance. O chairman desconversou quando questionado se havia tido contato com o presidente Donald Trump, que o indicou para o comando do BC norte-americano em substituição a Jerome Powell, alvo frequente de críticas do republicano. Já Trump disse a jornalistas que o Fed pode elevar os juros neste ano. “Pode acontecer”, afirmou o republicano, acrescentando que Warsh é uma “ótima pessoa”.





A economista Isadora Junqueira, da AZ Quest, destaca a menção do Fed à inflação elevada em razão do choque de energia e a promessa de Warsh, em sua primeira coletiva à frente da instituição, de entregar estabilidade de preços. Embora não tenha fornecido um forward guidance, o BC norte-americano deixou claro que vai se concentrar na inflação, uma vez que o emprego e a atividade seguem sólidos, observa.





“Esse foi o ponto principal. É a primeira visão das mudanças que vamos ter com o Warsh. E tivemos também a revisão das expectativas de juros no gráfico de pontos, com nove membros esperando alta neste ano. Foi uma mensagem muito dura”, afirma Junqueira, ressaltando que o impacto da postura do Fed foi mais evidente no comportamento do DXY e das taxas de juros de curto prazo, com o retorno da T-note de dois anos superando 4,20%.




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