Irmãos investem em cultivo de lúpulo em área nunca plantada e ganham título com a 1ª safra

Irmãos investem em cultivo de lúpulo em região onde plantação não era comum e conquistam 3° lugar em Copa Brasileira
Arquivo Pessoal
O sonho de viver do agronegócio fez com que três irmãos investissem na plantação de lúpulo em uma área onde a planta nunca havia sido cultivada, em Iguape, no litoral de São Paulo. A ousadia fez a família conquistar o 3° lugar na Copa Brasileira de Lúpulos na categoria melhor comet, que é a variedade da espécie.
"O lúpulo comet está sendo o mais plantado no Brasil. Ele apresentou mais produtividade, mais qualidade e está sendo a queridinha dos produtores. Tanto é que sempre é a variedade mais concorrida na Copa Brasileira", disse o agricultor Thiago Augusto Bezerra Tavares, de 28 anos.
Ao g1, Tavares contou que a família usou os lúpulos da primeira safra na competição, o que foi um marco importante, já que é sempre a menos produtiva e mais complicada. Segundo ele, a família é a primeira a cultivar a planta em Iguape, que foi escolhida por ser uma região atrativa e com bastante umidade.
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"Quando estávamos procurando sítios à venda, Iguape chamou nossa atenção pela quantidade de corpos de água que usamos na irrigação, pela grande quantidade de mata nativa, o que protege nossa plantação de ventos fortes, e pela proximidade com São Paulo e Curitiba, que são grandes centros que podemos oferecer nossos produtos".
O agricultor explicou que o principal desafio foi adaptar a cultura à realidade da região, já que o lúpulo é uma planta com genética alemã/norte-americana. "Cada dia de safra é um aprendizado de como tornar ela mais produtiva em um clima tropical e único que é o Vale do Ribeira".
Thiago contou que ele e os irmãos Anderson Bezerra e Thais Bezerra conheceram a cultura do lúpulo e se interessaram. Antes de começar a plantação, visitaram vários produtores para conhecer e entender a realidade do cultivo. "Quando tínhamos bastante conhecimento, decidimos investir".
Irmãos investem em cultivo de lúpulo em região onde plantação não era comum e conquistam 3° lugar em Copa Brasileira
Arquivo Pessoal
Segundo ele, o foco da produção da família é a sustentabilidade. "Estamos caminhando para uma produção o mais sustentável possível. Estamos zerando o uso de agrotóxicos, utilizando muito adubo orgânico para diminuir nossa dependência de químicos".
Além disso, o agricultor explicou que aproveita os restos culturais, ou seja, a compostagem para reduzir o máximo da quantidade de resíduos e lixos dentro do sítio. "Já geramos nossa própria energia elétrica e temos planos de tornar o sítio autossustentável nos próximos anos".
Como funciona a safra?
De acordo com Thiago, a safra começa amarrando os fios de sisal biodegradável para que a planta suba até o topo. Além disso, é utilizada iluminação artificial para que o lúpulo cresça por cerca de dois meses. A adubação, segundo ele, é feita 4 vezes por semana.
"Nosso manejo de adubação é feito 4 vezes por semana, focamos em utilizar matéria orgânica, esterco de ovelha, bokashi [adubo orgânico], extrato pirolenhoso [vinagre de madeira], que são produtos orgânicos e que ajudam o lúpulo a crescer e se desenvolver de forma saudável e sustentável", disse.
Segundo o agricultor, a Emera Hops cultiva o lúpulo e o vende processado para as cervejarias artesanais. Para Thiago, um dos grandes problemas enfrentados pela família foi avaliar a viabilidade do negócio em Iguape, área em que não era comum a plantação.
"Foram muitas conversas com diversos agrônomos diferentes para analisar todos os aspectos e riscos do negócio. Analisamos cada aspecto com muita atenção para que diminuíssemos o risco ao máximo possível, mas, no final das contas, temos que arriscar para obter sucesso", disse.
Para ele, a premiação é importante para validar o trabalho da empresa familiar. "Mostra que estamos no caminho certo e ajuda bastante no comércio do produto, que ainda é o mais difícil na produção". O agricultor explicou que há variação entre uma safra e outra.
"O cervejeiro, para não ter que ficar mudando a receita dele toda vez que vai fazer uma cerveja, ele precisa de um lúpulo mais padronizado, que tenha sempre a mesma quantidade, então a gente tem uma certa resistência", disse o agricultor.
Para driblar a dificuldade da padronização, Thiago contou que está criando a Cooperativa Brasileira de Lúpulo, que terá sede em Aguaí. "A gente vai mandar todo o lúpulo dos produtores para lá, vai ser misturado e obter o padrão. Aí sim vai ser comercializado com mais facilidade às cervejarias".
Thiago afirmou, ainda, que eles seguem diversificando o negócio. "Estamos trabalhando com empresas de turismo para fazer visitas guiadas tanto na plantação quanto em cervejarias. Existe também a criação da Cooperativa Brasileira de Lúpulo (CBL), que representa um marco importante no estabelecimento da cultura do lúpulo no Brasil inteiro".
Empresa de Iguape (SP) conquistou o 3° lugar na 4ª edição da Copa Brasileira de Lúpulos na categoria como o melhor comet
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