Estudante de Odontologia presta depoimento após ser agredido em universidade
Antônio Lima, de 22 anos, afirma estar em recuperação após as agressões sofridas durante um evento esportivo no início desta semana, quando uma sequência de brigas foi registrada em uma universidade de Santos, no litoral de São Paulo. Segundo o estudante de Odontologia, o caso já foi formalizado junto à Polícia Civil.
Ao VTV News, ele relata que a decisão de registrar boletim de ocorrência (BO) ocorreu diante da repercussão do caso e, consequentemente, das diferentes versões que passaram a circular no campus e também na imprensa. “Eu ouvi cada versão… falaram até que eu tive traumatismo no crânio e não morri”, afirmou.
Antônio diz que, apesar da gravidade da confusão, o momento atual é de recuperação física e emocional, já que as agressões ocorreram de forma generalizada dentro e fora da universidade, na última segunda-feira (11). O caso é investigado pelo 7º Distrito Policial (DP) de Santos, onde foi registrado como lesão corporal.
Início da confusão
Segundo o jovem, a confusão começou durante uma partida de futebol entre os atléticas de Odontologia e Comércio Exterior & Logística, marcada por provocações entre torcidas e atletas. Ele afirma que o clima de rivalidade se intensificou ao longo da disputa. “Foi um jogo que já estava inflamado de ambos os lados”, disse.
Antônio relata que, em determinado momento, se desentendeu com um jogador adversário ainda dentro da quadra, mas acreditava que a situação havia terminado após o fim da partida. No entanto, segundo ele, o conflito se estendeu para fora do espaço esportivo, onde teria ocorrido a primeira agressão física.
“Pelo menos pra mim, [a situação] tinha morrido. O que acontece no campo fica no campo. [O outro jogador] resolveu levar pra fora. Quando foi sair da quadra, passou na minha frente, resolveu parar pra me encarar e foi nessa hora que ele deu o primeiro soco. A partir daí eu só me defendi e começou uma confusão”, afirmou.
Outros alunos também passaram a se envolver na briga, como mostram imagens que repercutiram nas redes sociais. Os estudantes, porém, não foram identificados pelo VTV News. Antônio afirma que o número de envolvidos aumentou rapidamente. “Quando foram ver, já tinham chamado um monte de amigo… uns 30”.
Ele afirma que, naquele momento, o grupo de Odontologia estava em desvantagem numérica e foi separado pela equipe de segurança contratada pela instituição. Segundo o estudante, a medida buscou evitar que a situação piorasse. “A segurança colocou a gente pra dentro [de outro ginásio] porque a gente tava em menor número”.
Violência fora da quadra
O estudante afirma que, após o início da confusão, os alunos foram escoltados pela equipe de segurança e aguardaram a chegada da Polícia Militar (PM) por cerca de 40 minutos. “A gente ficou lá esperando. Era o único jeito de sair [da universidade]”, relatou. Ainda assim, segundo ele, o clima de tensão permaneceu.
De acordo com Antônio, mesmo após a chegada da PM, grupos continuaram aguardando a saída dos estudantes. “Tinha bastante gente fora [do campus] esperando a nossa saída, de vários cursos, mas a maioria era de Comércio Exterior. Esse pessoal tinha sido dividido em vários grupos e estava cada um [em um ponto diferente de] saída, inclusive outros vagando pela faculdade procurando a gente”, relembrou.
Antônio relata ainda que, durante a condução policial, sofreu uma nova agressão, registrada em vídeo obtido pelo VTV News – momento em que estudantes também aparecem sendo atingidos com golpes de cassetete. “Na hora que eu passo, ele fala uma graça pra mim, eu falo uma graça pra ele e ele me devolve um tapa na cara. Aí nessa hora a polícia pega pra bater nele e o outro policial me tira da faculdade e me leva lá pra fora”, disse.
Momento mais grave
Após a escolta, o estudante afirma que voltou a ser perseguido fora da área principal da universidade. Segundo ele, um grupo de cerca de 10 a 15 pessoas voltou a se aproximar. “Eles começaram a cercar de novo… uns 10, 15”, relatou. Ele afirma que tentou fugir ao ver um amigo em uma moto nas proximidades.
Segundo Antônio, ele chegou a receber orientação de um policial para deixar o local rapidamente. “Eu falei com um policial e ele disse: ‘vai, vai’”, contou. No entanto, afirma que não conseguiu escapar e acabou caindo durante a tentativa de fuga. “[O agressor] colocou o pé pra eu cair, e eu caí na calçada”, relatou.

O estudante afirma que, após cair, foi agredido no chão com socos e chutes direcionados principalmente à cabeça. Segundo ele, o episódio só terminou após a chegada de um amigo. “Eu tava caído… me batiam, davam soco na minha cabeça”, disse. Antônio afirma que a intervenção impediu consequências ainda mais graves. “Ele chegou e tirou todo mundo de cima de mim”, afirmou.
Atendimento médico
Antônio afirma ainda que sofreu uma lesão no braço durante a queda e, inicialmente, acreditou ter fraturado o membro. Segundo ele, o impacto causou um deslocamento. “Na hora achei que tinha quebrado, mas saiu do lugar”. Após o episódio, o estudante foi encaminhado ao Hospital Ana Costa, no Gonzaga, onde passou por avaliação médica e recebeu alta na manhã seguinte (12).
Ele também prestou depoimento na terça-feira ao 7º Distrito Policial (DP) de Santos.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), a ocorrência foi atendida por policiais militares, que dispersaram a multidão após uma “briga generalizada motivada por um jogo universitário”. Dois jovens, ambos de 20 anos, foram identificados como autores das agressões e liberados após prestarem depoimento. Vídeos obtidos pela reportagem, no entanto, mostram a participação de diversos outros estudantes na agressão.

Outro lado
A reportagem também procurou representantes da outra atlética envolvida na confusão. Segundo uma estudante de Comércio Exterior, o episódio teria começado ainda no gramado do primeiro jogo da noite, quando um atleta do curso dela teria sido agredido por estudantes de Odontologia “sem motivo”.
Ainda de acordo com a versão apresentada, a situação mobilizou alunos dos dois lados e evoluiu para novos momentos de agressões e reações. A estudante afirma que, em meio à tensão, alunos de Odontologia precisaram ser escoltados pela equipe de segurança para deixar o local, em uma conduta considerada por ela como um tratamento “desigual” por parte da universidade.
Sensação de insegurança
Além dessa agressão, pelo menos outros dois desentendimentos envolvendo empurrões, gritos e ofensas foram registrados nos ginásios da universidade, tanto entre atletas quanto entre torcedores.
Uma estudante, que não será identificada, conta que o ocorrido a deixou assustada porque, “nos últimos jogos sempre está tendo [briga] de alguma forma”. “Se não é a torcida, são os jogadores. Mas dessa vez passou de qualquer limite: saiu do jogo e foi para a rua. Eu não consigo mais nem ir ver os jogos com tranquilidade”, disse.
Ela também questionou a estrutura de segurança disponível durante os eventos esportivos. “Eu sei que a segurança não é suficiente para conter [as brigas]. Tive a prova disso na segunda-feira. Foi um braço quebrado, mas quem sabe um dia alguém entra com uma faca e o pior aconteça?”, questiona.
Antônio Lima também criticou a atuação da equipe responsável. Segundo ele, o número de profissionais seria insuficiente para o porte da competição e faltou preparo para lidar com a situação. “Não tinha segurança para proteger a gente ali”, afirmou. Ele também relatou ter ouvido de um segurança que, fora do local dos jogos, ele “teria que se virar”, declaração que, segundo o estudante, potencializou a sensação de desamparo.
Medidas
A reportagem apurou que, um dia após o ocorrido, a universidade promoveu uma reunião com representantes das atléticas para discutir providências diante dos episódios de violência registrados “dentro e fora do campus”, considerados pela instituição como de “relevante gravidade”. A decisão foi expulsar da competição as atléticas de Odontologia e Comércio Exterior/Logística envolvidas na confusão.
“Todos os envolvidos estão sendo identificados individualmente por meio do sistema de reconhecimento facial e das câmeras de segurança. Os responsáveis sofrerão punições no âmbito esportivo, conforme o regulamento da competição, e também no âmbito disciplinar e acadêmico, de acordo com o Regimento Interno da Universidade, podendo resultar em advertência, suspensão ou expulsão. Os participantes identificados nos atos de violência serão permanentemente excluídos da competição. A Universidade permanece aberta e à disposição para colaborar integralmente com as autoridades competentes em relação aos acontecimentos externos”, informou a instituição em nota.
Quanto à estrutura de segurança, a universidade foi questionada pelo VTV News nesta sexta-feira (15) sobre o funcionamento do esquema de segurança dos jogos universitários. A reportagem também solicitou um posicionamento sobre a atuação da equipe durante a briga generalizada registrada no início da semana. Até o momento, não houve retorno, mas o espaço permanece aberto para demais esclarecimentos.
Atléticas são organizações formadas por universitários para representar cursos em competições esportivas e eventos estudantis. Além dos jogos, também costumam organizar festas, ações sociais e atividades de integração.
Entenda as punições previstas nos Jogos
O regulamento oficial dos Jogos prevê diferentes medidas disciplinares em casos de irregularidades durante a competição. O documento, disponível para consulta pública, reúne regras para os cerca de 4 mil participantes e estabelece as penalidades que podem ser aplicadas de acordo com a gravidade de cada situação.
As punições previstas no artigo 12 são:
- advertência;
- suspensão;
- eliminação da modalidade;
- eliminação temporária dos Jogos;
- exclusão permanente dos Jogos.

O texto também estabelece que o Comitê Organizador pode aplicar qualquer uma dessas penalidades diretamente, sem aguardar a conclusão do julgamento esportivo em casos considerados graves. Além disso, equipes, atletas e torcidas podem ser responsabilizados por excessos registrados durante a competição, com posterior encaminhamento dos casos ao Tribunal de Justiça Desportiva.
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